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terça-feira, 12 de abril de 2011

Continuação de doações(O Globo)

RIO - Cerca de 85% das doações vindas de todo o Brasil para Teresópolis foram enviadas a sete galpões emprestados por empresários locais. Nesta terça-feira, data em que a tragédia completa três meses, ainda há mais de 400 mil quilos de arroz, 60 mil de feijão, 130 mil litros de água, seis mil pacotes de fraldas, 35 mil sabonetes e outros milhares de produtos à disposição das vítimas, guardados em três imóveis. Esses exemplos da solidariedade, porém, correm o risco de estragar por má administração: os donos dos galpões, que não estão cobrando aluguel pelo uso do espaço, admitem que não têm mais condições de manter a situação sem a ajuda financeira da prefeitura. Eles estimam que o custo por mês de manutenção seria de R$ 30 mil, enquanto o total de doações valeria, em média, R$ 5 milhões. Hoje, movimentos sociais de Teresópolis promovem uma manifestação, batizada de "Dia do chega", organizada por 42 entidades da sociedade civil com a expectativa de reunir dez mil pessoas na Praça Olímpica, no Centro.
Período de cessão dos galpões era de 90 dias
O empresário Nilson Neves conta que, logo nos primeiros dias após a chuva, decidiu emprestar seus galpões para a prefeitura porque não havia espaço público. Os empresários Rinaldo Santos e Gilmar Chaves fizeram o mesmo. Pelo acordo, eles cederiam os imóveis por 90 dias. A gestão municipal cederia a mão de obra, o material para a montagem das cestas básicas e o transporte até as vítimas, além de pagar contas de luz e água.
Nunca foi formalizado que somos os responsáveis pelas doações, mas foi o que ocorreu. E isso se tornou um transtorno. Há produtos com validade até o ano que vem. Não compensa entregar tudo agora para as vítimas, pois acreditamos ser melhor tornar essa ajuda constante
- Nunca foi formalizado que somos os responsáveis pelas doações, mas foi o que ocorreu. E isso se tornou um transtorno. Há produtos com validade até o ano que vem. Não compensa entregar tudo agora para as vítimas, pois acreditamos ser melhor tornar essa ajuda constante. Por isso, é importante oficializar a administração e a manutenção dos galpões. Mas a prefeitura não ajuda e agora não temos mais condições de manter essa situação. Por outro lado, há produtos perecíveis que não temos como transportar por falta de caminhões - diz Neves.
Sem condições de bancar a estrutura dos galpões, os empresários estão num impasse.
- Não queremos entregar tudo à prefeitura, pois não há confiança. Mas também não temos condições de manter do jeito que está. Nem sacolas para montar as cestas básicas recebemos - acrescenta Neves.
Os empresários cogitam entrar com uma ação junto ao Ministério Público Federal para garantir o destino das doações. Neves também reclama que não há a quem recorrer, já que os secretários de Desenvolvimento Social, Dione Manetti; e de Meio Ambiente e Defesa Civil, Flávio Castro, pediram exoneração na semana passada.
Prefeitura diz que assumirá despesas dos galpões
Em nota, a prefeitura informa que assumirá as despesas referentes aos aluguéis dos três galpões e suas contas. A Procuradoria Geral do município está analisando os contratos com empresas de transporte para garantir a distribuição das cestas básicas. Segundo a Secretaria de Administração, foi feito um levantamento de preços para a compra de sacolas para as cestas. Os orçamentos seriam entregues hoje. Ainda segundo a nota, a secretaria fez um processo de aquisição de alimentos, na forma de pregão, para atender as famílias.
A manifestação desta terça-feira será a quarta em menos de um mês. A primeira, em 15 de março, levou ao cancelamento da sessão ordinária da Câmara dos Vereadores. O prédio chegou a ser apedrejado por manifestantes. A Força Nacional foi chamada para isolar o local. Aconteceram ainda protestos nos dias 17 e 22 de março. No dia 23, foi instaurada uma CPI para apurar denúncias de ilegalidade na contratação de empresas durante o estado de calamidade pública.
- Vamos até a Câmara, onde entregaremos um documento ao presidente da Casa pedindo mais atenção às necessidades da população. Queremos transparência e agilidade na reconstrução da cidade - diz Rita Telles, diretora executiva do movimento Nossa Teresópolis

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